Quarta morte do desabamento de prédio em Fortaleza é confirmada pelos bombeiros

Quarta morte do desabamento de prédio em Fortaleza é confirmada pelos bombeiros

Uma equipe de resgate que trabalha sobre os escombros do Edifício Andrea, que desabou no Bairro Dionísio Torres, em Fortaleza, retirou um corpo do local na manhã desta quinta-feira (17), o terceiro dia de buscas. De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, Luis Eduardo Holanda, a quarta vítima morta após o desmoronamento ocorrido na terça-feira (15) é de um homem. 

Por volta de 6h45, os socorristas usaram uma lona para cobrir o corpo que, após o resgate, foi levado pela Perícia Forense. 

Durante a noite, o trabalho dos bombeiros ficou mais intenso após o registro de um contato com uma vítima soterrada. Voluntários fizeram orações e chegaram a aplaudir o trabalho dos agentes durante a madrugada desta quinta-feira. 

 

DADOS OFICIAIS DO CORPO DE BOMBEIROS:

4 mortes

6 seguem desaparecidos nos escombros

7 resgatados com vida

17 vítimas no total

MORTES CONFIRMADAS

1)  Frederick Santana dos Santos, 30 anos, era entregador de água e estava no mercantil ao lado do prédio, no momento do desabamento. Bombeiros confirmaram a morte por volta das 23h30 da noite de terça-feira (15). 

2) Vítima não identificada. SSPDS informou que é uma mulher e que ainda está nos escombros do edifício. Bombeiros confirmaram a morte dela por volta das 8h da quarta-feira (16). 

3) Izaura Marques Menezes, de 81 anos, é avó do primeiro resgatado com vida do prédio, o jovem Fernando Marques. Os bombeiros confirmaram a morte por volta das 17h30. De acordo com a corporação, o corpo foi encontrado ao meio-dia e eles não conseguiram identificar a vítima. A SSPDS, depois, a identificou como Izaura Marques Menezes, após exames de odontologia forense (arcada dentária).

4) Vítima não identificada. O quarto corpo é de um homem. Ele foi retirado dos escombros na manhã da quinta-feira (17).

DESABAMENTO: O QUE ACONTECEU

Edifício Andrea desabou na manhã desta terça-feira (15), por volta das 10h28, no cruzamento da Rua Tibúrcio Cavalcante com Rua Tomás Acioli, no Bairro Dionísio Torres, em Fortaleza. Lavrado em 6 de abril de 1982, o documento inscrito no cartório de registro de imóveis da 1ª zona, em Fortaleza, põe fim à versão de que o Edifício Andrea foi construído em 1994 e estivesse irregular, como a Prefeitura informou no dia do acidente. A empresa que fez a averbação do imóvel também difere do informado pelo Município, sendo a Imobiliária Alpha a responsável, e não a P&G Engenharia.

O documento, obtido em primeira mão pelo Sistema Verdes Mares, revela que cada um dos 13 apartamentos (2 para cada um dos seis andares e 1 para a cobertura) foi devidamente registrado com matrículas individuais, assim como o edifício. O regime de condomínio também foi definido no texto averbado pela Alpha.

A construção contou ainda com o financiamento do Banco do Ceará S/A (Bancesa), sob o aval do Banco Nacional da Habitação, de acordo com o documento. Ambas as instituições financeiras não estão mais ativas. 

Respostas

Nesta quarta-feira, confrontadas com o documento registrado no cartório, as secretarias das Finanças (Sefin) e de Arquitetura e Urbanismo (Seuma) não se manifestaram até o início desta quinta-feira (17).

A execução da Lei de Inspeção predial é a principal cobrança sobre o Município, que continua sem revelar dados de fiscalização ou inscrição do edifício Andrea nos órgãos competentes para tal. A legislação existe desde 2016, mas houve seguidos adiamentos feitos pelo Município.

Multas de até R$ 10 mil são previstas para quem descumprir a lei, que consistem em quatro etapas: (1) contratar profissional que elabore laudo de vistoria técnica; (2) executar as obras; (3) protocolar os documentos para análise na Seuma; e (4) afixar o certificado de inspeção predial em local visível ao público.

A justificativa para o trabalho dos fiscais consta no site da própria Prefeitura: “A estrutura das edificações, assim como as instalações elétricas e hidráulicas sofrem desgaste. Em alguns casos, a deterioração é quase imperceptível, podendo causar incêndios e desabamentos”. Porém, o não cumprimento ainda acontece.

DIÁRIO DO NORDESTE